Equipe baiana vai disputar Campeonato Mundial de Remo na categoria master
Grupo é formado por atletas consagrados, que já passaram dos 50 anos
Um jornal guardado há 51 anos. Momento histórico registrado na primeira página. “Foguete soviético desce na lua”. Foi 10 anos antes do primeiro homem dar um passeio em terreno lunar. A corrida espacial ainda estava no começo, soviéticos e norte-americanos lutavam pela conquista do espaço e… para, para, para. Esquece tudo isso. O destaque dessa primeira página é outro.
O homem grisalho de hoje era o atleta da capa de ontem. E olha que a foto dele ficou maior do que a do foguete!
Ele era o auge do remo baiano. Esporte muito popular e de grande prestígio na época.
Em outro jornal, uma reportagem grande e, na manchete, o apelido que consagrou o atleta. S. Joel era conhecido como “Meu santo”.
Histórias do passado, mas o personagem continua em ação no presente. Saudade? Melancolia? Ele não tem tempo pra isso.
O treino é puxado. Aos 69 anos, Joel faz parte da equipe baiana que vai disputar o Campeonato Mundial de Remo, no Canadá, na categoria Master. Junto com ele, o amigo Jorge, o Bacalhau, outro super atleta que já passou dos 50.
O caçula da turma se junta ao grupo. Paulo tem 53 anos, mas se sente com bem menos.
O resultado da dedicação ao esporte aparece na água. Força, sincronia, técnica perfeita e muitos títulos. O time já conquistou campeonato sulamericano, medalhas em mundial e, o mais importante, a cada dia batem recordes em qualidade de vida.
Ao conversar com o grupo, é comum ouvir declarações do tipo “Eu faço meus exames, minha pressão é ótima”, “Remo não é o que eu faço, remo é o que eu sou”, ou ainda “Se eu for jogar futebol com os amigos, eu corro muito mais que eles”.
A velha guarda do remo olha para o futuro sem nunca esquecer o passado. E a coleção de jornais deve aumentar muito nos próximos anos. Do jeito como eles estão, as conquistas do presente logo logo vão virar recordações como aquelas de 50 anos atrás.


